terça-feira, 7 de abril de 2015

Brasil: negros são responsáveis por 50% dos negócios

O perfil dos empreendedores brasileiros vem mudando consideravelmente na última década. Conforme estudo apresentando ontem, pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), os negros já são a maioria entre os empresários, sendo responsáveis por 50% dos negócios do País. Os brancos correspondem a 49%, enquanto outros grupos populacionais representam apenas 1% dos empreendimentos. O levantamento teve como base os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).
A pesquisa foi realizada entre os anos de 2002 e 2012 e constatou que o número de pessoas negras a frente de empresas no Brasil cresceu 27%. Nesse mesmo período, o número de pessoas brancas que possuem uma empresa teve uma redução de 2%. Para o presidente do Sebrae, Luiz Barretto, o crescimento da população afrodescendentes no Brasil e a ampliação do mercado de consumo interno têm sido fatores decisivos para o aumento do empreendedorismo deste grupo.
"Mais pessoas negras estão ascendendo à classe média e assumindo posições importantes no mercado de trabalho e no universo do consumo e do empreendedorismo", ressalta Barretto.
Políticas sociais
Para o presidente do Sebrae, o avanço da participação de pessoas negras à frente de empresas indica também que as políticas sociais voltadas para essa parcela da população e a criação da figura jurídica do Microempreendedor Individual (MEI) estão contribuindo para a melhoria dos indicadores desse grupo que representa hoje mais da metade da população brasileira, como aponta o Censo do IBGE.
Setores mais atrativos
Comércio e Serviços são os setores da economia que mais atraem tanto os empreendedores brancos quanto negros. Entre os afrodescendentes, 46% atuam nesses dois setores, e entre os brancos 50%. No grupo dos negros, há uma proporção elevada de indivíduos envolvidos em atividades que exigem menos qualificação, como a pesca, ambulantes e cabeleireiros.
Entre os brancos, verifica-se uma maior proporção de indivíduos que empreendem em atividades mais especializadas como advogados, médicos e engenheiros. A diferença de escolaridade interfere também nas áreas do empreendedorismo. Quanto maior o nível de instrução, mais complexa tende a ser a atividade exercida, afirma o presidente do Sebrae.
Rendimento mensal
Os negros também tiveram um aumento em seu rendimento médio mensal e no nível de escolaridade superior ao dos brancos. Entre 2002 e 2012, o tempo médio de estudo entre as pessoas negras cresceu 38%, passando de 4,7 para 6,5 anos. Já entre os brancos, esse crescimento foi de 21%, passando de 7,3 para 8,8 anos de estudo.
Quando analisamos o incremento da remuneração no mesmo período, notamos que, o rendimento médio real cresceu 45% entre os empreendedores negros, passando de R$ 786 para R$ 1.138 mensais, enquanto entre os brancos a expansão foi de 33%, variando de R$ 1.843 para R$ 2.460 por mês.
Nesse aspectos, de acordo com Luiz Barretto, as expectativas são promissoras, na medida em que o nível de escolaridade do brasileiro tende a continuar crescendo e impulsionando a melhoria de renda.
Fonte: Diário do Nordeste

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